Amar a si mesmo, para amar outro alguém
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| (Foto: Divulgação) |
Por Leonardo Matoso
“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” está passagem bíblica relata o que hoje, com desdém, está quase em extinção. Amar outra pessoa, como ama a si mesmo se tornou uma tarefa cada vez mais complexa. Não porque ninguém mereça ser amado, mas porque são poucos os que ainda se amam. Entre a era da “modernidade liquida” as relações são construídas entre egocentrismo, submissão e transtornos.
Não quero aqui tecer discursos sórdidos sobre as “formas de amar”. Sobre quais circunstâncias você deve permanecer com alguém e qual a melhor maneira de tomar suas decisões. Até porque, essas nuances sobre o amor, eu também não sei.
Eu acredito que o amor um dia tenha sido algo verdadeiro. Hoje, ele não passa de uma palavra vazia, longe do seu significado literal. Houve um tempo que acreditei piamente no amor romântico. Aquele amor perfeitinho, semelhante aos inicios de relacionamento. Cheio de mimos, beijos, atenção, sexo a todo momento (suspiro), companheirismo, fidelidade, empatia. Uma espécie de amor romanesco teorizado por muito tempo nas mídias, livros e nos ditos populares. Uma espécie de amor tão implacável que se tornou crença generalizada, uma anomalia psíquica que criou no imaginário do ser humano, um tipo de amor que pode levar ao sofrimento.
Eu sei que é clichê, mas antes de se relacionar com uma pessoa, aprenda a se relacionar consigo mesmo. A gostar da sua companhia. Do seu corpo. Do que você é. Ninguém é capaz de preencher o vazio existencial que hábito o interior de cada um de nós. Os parceiros devem ser escolhidos por desejo, admiração, prazer em estar em sua companhia. Não por ser a única opção ou por medo de não encontrar companhia. A pessoa que você permite se apaixonar NUNCA deve preencher um ESPAÇO que lhe FALTA, mas SIM, construir NOVOS CAMINHOS, para que os dois, em igual comunhão, desvelam e conquiste sonhos conjuntos.
Pense que ao se entregar a alguém você está fazendo isso para compartilhar a sua felicidade, ou seja, para se relacionar com outra pessoa, é imprescindível que saiba viver uma vida feliz. Uma vida no qual você reconhece o seu próprio valor. Uma vida onde você festeja as suas conquistas, se presentear, busca formas de se fazer feliz independentemente de estar ou não com alguém. O outro não deve ser a motivação, incentivo e aprovação para as suas atitudes e decisões. É claro que casais apoiam e ajudam um ao outro. Todavia, eles não fazem apenas o que o outro gosta, o que o outro quer, da maneira que ele acha ideal. Isso chama-se submissão e consequentemente FALTA DE AMOR PRÓPRIO.
Infelizmente muitas pessoas acabam aceitando um relacionamento assim por achar que não merecem ser aceitas como são. Consideram que amor é sacrifício e precisam manter uma vida a dois para serem felizes. Mas isso é falta de amor próprio, carência afetiva, síndrome do querer está sozinho. Claro, que existe inúmeras formas de amar e se VOCÊ possui um relacionamento CHICLETE e ambos estão bem, confortáveis, PERFEITO, se JOGA e vá ser FELIZ.
Do mesmo modo, se VOCÊ experiência uma relação de distanciamento, mas que envolve respeito mútuo, compreensão e se ambos estão bem, ÓTIMO. Mas o importante aqui, é perceber que para amar alguém, você precisa amar a si mesmo, se bastar. A outra pessoa é apenas um complemento da sua felicidade.
Um dos grandes problemas nos relacionamentos atualmente é a carência afetiva. A carência afetiva está enraizada no desejo de suprir vazios interiores, ou seja, ela faz com que as pessoas criem extrema dependência do outro, sejam submissas ao ponto de aceitarem qualquer condição por medo de ficarem sozinhas e tornam-se um verdadeiro fardo para os parceiros, que acabam ficando sufocados, sobrecarregados e infelizes.
É importante salientar que quando falta amor próprio e a carência afetiva é latente, faltam critérios para se relacionar, pois qualquer pessoa serve. Mas a má escolha e os sintomas de carência fazem com que o relacionamento não perdure. Há cobrança excessiva, vontade de que o outro abandone seus planos pessoais para viver a sua vida, comparação com outros casais, hábito de se fazer de vítima para comover o outro.
Desse modo, se você é capaz de amar outra pessoa, com tudo o que ela tem de positivo e negativo, também consegue amar a si mesmo. Ao gostar de si mesmo, conhecer suas qualidades, lidar com suas limitações e nutrir o amor próprio, a necessidade pelo outro diminui. E o relacionamento se transforma, assim, lembre-se: “não é o amor que molda as pessoas, mas as pessoas que moldam sua forma de amar de acordo com seus defeitos e virtudes”. Respeite SEMPRE. Confie, se entregue, VIVA, e acima de tudo PERMITA-SE amar e em troca amado ser.
(Leonardo Magela Lopes Matoso - Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Cognição, Tecnologia e Instituição da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). Especialista em Saúde e Segurança do Trabalho. Graduado em Enfermagem e Técnico em Radiologia. Graduando em Jornalismo pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.)

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