Depressão na adolescência: ajude seu filho a passar por esta fase

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(Foto: Divulgação)


Por: Vanessa Nascimento
 
Adolescente tem depressão? Essa é uma dúvida muito recorrente entre os pais e familiares desses jovens, de acordo com o olhar dos adultos a vida dos jovens é fácil e tranquila e eles não vêem motivos para a melancolia e a depressão. Os pais muitas vezes entendem que eles mesmos é que teriam motivos para reclamar, uma vez que trabalham muito e às vezes não recebem o reconhecimento que gostariam por parte dos filhos.
A resposta é que sim, a depressão é uma doença que afeta tanto adultos como adolescentes e crianças e os pais possuem um papel fundamental e participação ativa no tratamento dos filhos. Continue a leitura do texto para descobrir como eu oriento os pais que têm dificuldades aceitar ou lidar com o diagnóstico da depressão entre os filhos adolescentes.

Não compare seus problemas aos do seu filho

Primeiro eu mostro aos pais que eu compreendo a dor e as dificuldades deles. Comandar uma família exige muita responsabilidade e demandas financeiras, emocionais e sociais e não existe escola, nem curso que ensine a ser pai ou mãe. Sempre existe um desejo legítimo de dar o melhor para os próprios filhos, contudo é importante não esquecer que errar faz parte do processo.
Eu compreendo que os pais devem passar por muitas dificuldades: jornadas de trabalho exaustivas e responsabilidades em casa. Porém esses problemas fazem parte do mundo adulto, das, pessoas que já passaram pela adolescência e amadureceram nesse período.

Cada pessoa reage de uma forma às dificuldades

Os problemas dos adolescentes podem parecer pequenos se comparados com a rotinas dos adultos. Todavia comparar ambos não é o melhor caminho, deve se levar em consideração a maturidade e experiência de vida das pessoas em cada um dos momentos. A experiência faz com que as pessoas encarem as dificuldades de formas diferentes o que impacta no equilíbrio e na saúde emocional.
Na adolescência é que a personalidade amadurece e a identidade é construída. Essa fase da vida contém uma série de dificuldades e desafios como descoberta e vivência da sexualidade e identificação com um ou mais grupos. Nesse período tudo é vivido com muita intensidade: o amor e a dor são extremamente intensos.

Não banalize a dor do seu filho

Para o adulto que já esqueceu o que é ser adolescente, as dificuldades vividas nessa fase podem parecer muito simples. Porém para os filhos que estão vivendo a situação, aquilo é toda a dor que conhecem e podem suportar. Eles estão passando por um processo de amadurecimento para se tornarem adultos e serem capazes de lidar com outros problemas.
    Se você é pai ou mãe, ao se deparar com os problemas de seus filhos tente se lembrar de sua adolescência: quais dificuldades você passou na época? Quais eram os seus sentimentos? Quais dores você sentiu? Como você lidou com elas? Retorne ao adolescente que você um dia foi para responder a essas perguntas.
Ter uma escuta interessada, sem comparar ou competir e sem desmerecer as preocupações e o sofrimento alheio. Esse é um bom começo para retomar ou reforçar os vínculos com seu filho adolescente.

Não compare seu filho ao adolescente que você foi

Além de uma escuta interessada e sem preconceitos, para construir um bom relacionamento com o seu filho é importante não se compara a ele. Evite discursos do tipo: “No meu tempo…” ou “Eu fazia assim….”
Caso ele te pergunte conte como você se sentia na sua época, mas não  como forma de minimizar o que o seu filho sente e faz. Lembre-se: o que ele diz é muito importante e uma das formas de demonstrar que você se importa é ouvindo sem comparações, nem com você e nem com o primo, o irmão ou o vizinho. O seu filho é único, com suas forças e fraquezas, assim como todas as pessoas. Valorizando o seu filho você o ajudará a fortalecer a sua própria autoestima e identidade, o que é  crucial no tratamento da depressão.
O adolescente que está em depressão precisa ter seu sofrimento validado; precisa ser escutado e valorizado e para os pais essa é uma situação desafiadora. Lidar com isso não é uma tarefa fácil e é totalmente legítimo buscar ajuda; a orientação psicológica pode fortalecer pais e filhos nessa fase delicada.

(Vanessa Nascimento é Psicóloga CRP 11/03551 e Mestre em Psicologia. Administradora da página @tornarsemelhor)

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